Já lá vai o tempo em que comprar discos e passar tardes inteiras simplesmente a ouvir música era um desporto comum. Absorvíamos cada faixa até que nenhum pequeno detalhe nos escapásse. Hoje a oferta é sem dúvida muito maior, mas também extremamente duvidosa (no que trata à sua divulgação). A unidade de medida mudou, o digipack passou a Gb, e 18 faixas passaram para 2490 músicas, 7,4 dias de reprodução (segundo o meu iTunes).
Também me considero vítima deste meio, já faz muito tempo que não me dedico tão ferozmente em vasculhar álbums a mim desconhecidos que me encaminham e reencaminham para outros mais profundos. Contudo, pontualmente tenho a sorte de encontrar pessoas que me vão elucidando para o que se passa em meu redor, complementando a minha fome musical, fazendo-me não parar.
Ontem, a convite de casal austríaco, amigo da família, tive um destes momentos enriquecedores, onde a experiencia de uns é a descoberta de outros. Um jantar delicioso, acompanhado por bons vinhos italianos e conversas muito interessantes, descolando em África, passando pela Ásia e terminando com música clássica.
É globalmente conhecido que a Áustria esteve sempre associada a movimentos de música clássica, sendo este um dos grandes orgulhos nacionais. E se ao longo da minha vida mostrei interesse em apreciar música clássica, mas sempre com resultados falhados, Graz coloca-me num bom ângulo para "marcar um golo" (como diz o meu pai).
E se é de pequeno que se aprende, também eu, uma criança tenho de começar por algum lado. Mostraram-me "Peter and the Fox"(1), uma história infantil composta por Sergei Prokofiev em 1936, com o objectivo pedagógico de mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos. Cada personagem na história é representada por um instrumento diferente. Começamos por entender qual a parte de cada "personagem" no conjunto de uma orquestra. Relacionei logo esta peça com um filme que vi vezes sem conta quando era mais novo: Fantasia de 1940. Baseado nos mesmos princípios de Peter and the Fox, mas neste caso animações são acompanhadas com música clássica.
The Sorcerer's Apprentice, excerto do filme "Fantasia" 1940
(1)Prokofiev: Peter & the Wolf / Saint-Saens: The Carnival of the Animals por Leonard Bernstein and the New York Philharmonic. (1982)
Foi um fim de tarde extremamente enriquecedor e motivante. Oxalá todos os fins de tarde fossem assim.
Se a internet é um excelente meio de comunicação, que seja usado para divulgar. Como o Eduardo me está sempre a dizer: Quantidade não significa qualidade, mas pode significar diversidade. Temos é de saber seleccionar bem o que queremos desta diversidade e usá-la para nos conhecermos melhor.
Michi und Verena - Vielen Dank, für das wunderbare Abendessen